30 de ago de 2010

Novo Uno: Mudou (quase) tudo.

38º, 39º e 40º dias

Não dá para negar que, quando o assunto são carros compactos, o novo Uno é o nome do momento. Desta vez, a plataforma clássica mantida pela Fiat por mais de 20 anos deu lugar a um produto totalmente reformulado, que ganhou traços mais modernos e vistosos. O layout interno também passou por uma transformação bastante positiva.

Nos últimos meses, confesso que ele foi um dos modelos que mais me chamou atenção. Na mídia e nas ruas, é sucesso absoluto. Por enquanto, é quase impossível trafegar com ele sem ver alguém arregalar os olhos e levar a cabeça até perdê-lo de vista. Mas, nesse ponto, ainda estou um pouco em dúvida. O que chama mais atenção ainda é o carro em si ou a cor verde box bem chamativa? Sei lá.

Pois é. Na última sexta-feira surgiu a oportunidade de dirigi-lo. O roteiro já estava definido: uma viagem até Serra Negra, localizada a 150 km de São Paulo. O trajeto foi pela rodovia Anhanguera (SP-330), passando pelas cidades de Itatiba, Morungaba e Amparo. Era uma ótima oportunidade de testar o nosso verdinho nas curvas, pois uma parte do trajeto é feito por pistas bastante sinuosas.

Ao entrar no veículo, algo de cara me chamou a atenção: a visibilidade. Diferentemente de muitos populares que andam por aí, os retrovisores são grandes e propiciam um campo de visão excelente. A Fiat também pensou nas pessoas de alta estatura: mesmo com meus 1,92 m, senti-me bem confortável.

Nesses três dias, foram mais de 300 km rodados. Suficientes para se ter uma ideia geral sobre o funcionamento do novo modelo na visão de um consumidor. O barulho do motor (como já foi relatado por aqui) realmente incomoda. Nas curvas, o carro se comporta muito bem, transmitindo segurança.

O motor 1.4 é forte e se mostra ideal para o tamanho do veículo. Porém, nas subidas mais inclinadas faltaram alguns cavalos. Mas nada de comprometedor. Não gostei muito do câmbio, que segue a tendência das versões anteriores do Uno. Falta precisão, principalmente nos engates da 1ª e da 3ª marchas.

Agora, o que realmente eu não entendo é o rádio Connect. Por que a entrada USB está dentro do porta-luvas? Para quem (meu caso) usa e abusa desse dispositivo, é extremamente desconfortável a sua posição. E se, além disso, você é daqueles que utiliza todo o espaço do porta-luvas (olha eu de novo), pode começar a pensar em um outro lugar para guardar as tranqueiras ou aposentar o pendrive.

Hoje pela manhã, a caminho da editora, um chiado chato vindo do alto falante dianteiro esquerdo começou a incomodar. Durou cinco minutos e parou. Caso o problema volte, sem dúvida vocês ficarão sabendo.

Querem saber se eu compraria o novo Uno? Depende. Sou proprietário de um Celta 1.0 VHC e, entre um e outro, fico com o Fiat por itens como design e conforto. Porém, não pagaria mais do que os R$ 27.590 de saída. No geral, o carro é bom, econômico, mas peca mesmo no câmbio. Para quem procura um modelo popular de baixo custo, ele é ideal diante do que temos hoje no mercado.

29 de ago de 2010

Novo Uno: Uma (agradável) surpresa!

37º Dia

Como muitos que viveram o final da adolescência nos anos 90, o Uno faz parte da minha vida. Aprendi a dirigir em um Uno CS 1.3 1987 e, em grande parte das viagens e bons momentos da minha juventude, há um Mille ELX 94 de coadjuvante. Pois é, exceto pelo câmbio daquele CS, só tenho boas lembranças desse Fiat, e depois de conhecer melhor este Way do Teste dos 100 dias, tive vontade de voltar a ter um Uno na garagem.

Para mim, prazer ao dirigir significa muito mais que contar com um motor esperto e com um comportamento dinâmico eficiente. Ter a minha frente um painel de instrumentos completo e bonito (conta-giros é fundamental), um volante com boa empunhadura e uma boa posição de pilotagem considero tão ou mais importante que o número de cavalos do motor ou os kgfm de torque… e, exceto por pequenos detalhes, este Uno me agradou muito nesse sentido. Sou um crítico mordaz dessa penúria que se tornou o acabamento dos veículos nacionais, mas, felizmente, este novo Uno parece ser uma exceção à regra — pelo menos nesta versão Way. Está certo que faltou “aparar as arestas” de alguns plásticos, entretanto, encontrei um interior bonito no design e de bom gosto nos detalhes. Os materiais são simples, mas fica claro que alguém na Fiat se preocupou em deixá-los com um aspecto agradável aos olhos e ao tato, preocupação que não notei em muitos carros desse segmento. Um interior desenhado com muito bom gosto. Pena que a bela cobertura decorativa sobre o painel, em plástico preto brilhante, reflete no pára-brisa quando o sol está a pino. Gostei muito da ergonomia do carro. Os comandos estão à mão, os bancos são confortáveis e a visibilidade é excelente, contudo, gostaria de ter mais espaço entre os pedais, especialmente entre o freio e o acelerador.

Gosto muito destes carros com índole mais “Adventure”. Não pelo visual externo carregado, mas sim pela suspensão mais elevada e pneus altos. Nada me tira mais o tesão de dirigir do que ter de ficar preocupado com o estado das ruas para não amassar uma roda. Nesse sentido, este Way é um paraíso. Como só andei pela cidade, não posso falar sobre a estabilidade em alta velocidade, entretanto, na “selva urbana” este Way é impecável, conseguindo transmitir uma dose de conforto incomum para um carrinho compacto como ele é. A direção é muito rápida — 2,7 voltas de batente a batente — o que significa uma agilidade fantástica. O motor está longe de ser um foguete, mas também não compromete muito o desempenho desde que você mantenha o ar condicionado desligado. Na minha opinião, principalmente por ser um motor moderno, o Fire 1.4 EVO deveria ser menos áspero e rumoroso.

Como disse, particularmente não gosto desse visual repleto de apliques plásticos do Way, mas as linhas gerais deste novo Uno são realmente belas. Nada como um carro verdadeiramente novo! Gostei, uma agradável surpresa.

28 de ago de 2010

Novo Uno: Na terra ou no asfalto, o novo Uno vai bem!

36º Dia

http://testedos100dias.com.br/novouno/wp-content/uploads/2010/07/uno500px20100722.jpg

Assim como relatado pelo Wilson no último post, este foi o meu primeiro contato com o novo Uno. Claro que, antes, já havia feito uma análise criteriosa em relação ao seu visual durante os últimos dias, quando ele esteve aqui no pátio da editora. Sei que, quando o assunto é beleza, as opiniões se divergem, afinal, isso é muito subjetivo. Ainda assim, arrisco dizer que o “jeitinho moderno” e as formas equilibradas agradaram a maioria, e quando digo maioria me incluo nessa. Com uma reformulação completa, a Fiat — que inclusive tem se especializado nisso — parece ter acertado a mão e caído no gosto dos brasileiros. Não é à toa que a marca é líder de vendas há algum tempo.

Neste primeiro contato com o Uno Way, tive a oportunidade de rodar na cidade, na estrada e até mesmo na terra. Apesar do pouco tempo com o “carrinho”, essas diferentes características me fizeram ter uma análise bastante positiva. Começando pelo trânsito pesado do fim de tarde de São Paulo, me agradou a forma como o motor 1.4 responde nas retomadas, além do acionamento suave de alavanca de câmbio e do pedal de embreagem. Pequenino, ele também se mostrou bastante ágil para o fluxo pesado das cidades.

Outra característica que me chamou a atenção foi a ergonomia dos bancos. Como passei algum tempo dentro do Uno depois de um dia desgastante, o assento confortável foi um quesito positivo. Ainda falando de seu interior, pelo menos superficialmente ele conta com um bom acabamento, até um pouco diferenciado para a sua categoria. Por outro lado, cabem algumas ressalvas, como o porta-objetos no centro do teto. Produzido de material plástico, ele é fácil de abrir, mas complicado para fechar.

Em relação ao desempenho, o propulsor flex do Way é honesto. Senti-me bem com ele na estrada, porém, não poderia esperar menos de um motor 1.4. Para manter a velocidade limite da rodovia Castello Branco (120km/h), não tive dificuldades, inclusive nas subidas.

Agora, o que mais me surpreendeu foi quando saímos do asfalto e enfrentamos as estradinhas de terra da região de Araçariguama, SP. Estava receoso quanto à performance do Uno nessas circunstâncias, mas foi preciso rodar apenas alguns metros e superar os primeiros buracos para ver que ele é realmente apto para essas condições. Com um acerto firme e preciso, o Uno superou com eficiência e conforto as irregularidades do solo. Além disso, o carro se mostrou com uma boa altura em relação ao solo, já que em nenhum momento ele raspou ou deu sinal de raspar nas erosões do terreno. Outro fator que beneficia este desempenho surpreendente são os seus pneus Pirelli Scorpion ATR, que, além de oferecerem um bom grip, ajudam no funcionamento das suspensões.

Em suma, apesar do pouco contato, gostei bastante do novo Uno. A primeira impressão que eu tinha em relação ao visual acabou sendo melhorada pelo bom desempenho geral do compacto. Um carro a ser considerado na hora da compra!

27 de ago de 2010

Novo Uno: Mais longo ou mais curto?

35º Dia



Após uma longa espera, finalmente consegui fazer a minha estreia a bordo do novo compacto da Fiat. Acha estranho? Pois é, muita gente imagina que, por trabalhar numa revista especializada, acabo rodando com todos os carros que chegam à redação assim que eles são lançados. Bem que eu gostaria, mas, infelizmente, não é bem assim. Mas, independentemente disso, o fato é que consegui avaliar o novo Uno. Não tanto quanto gostaria, mas numa boa quilometragem, que incluiu trechos rodoviários e urbanos.

Sobre o carrinho em si, muita gente já comentou. Ele é diferente, ainda chama (muito) a atenção por onde passa e tem soluções interessantes, como o belo aproveitamento do espaço interno, a ergonomia e a visibilidade. O motor merece elogios por oferecer desempenho adequado ao hatch, mas por outro lado, é bem ruidoso e tem funcionamento áspero com etanol. Mas isso, certamente, é questão de costume.

Na minha avaliação em estrada, o Uno mostrou bom comportamento, mantendo a velocidade média com facilidade e apresentando boa estabilidade. Nem mesmo os ventos laterais encontrados vez ou outra chegaram a balançar o carrinho em demasia. Nas curvas, porém, achei que a carroceria “aderna” acima do que eu gostaria. Não chegou a assustar, mas causou uma impressão desagradável.

Falando em aspecto desagradável, dois itens que não me agradaram no carrinho foram o quadro de instrumentos, com o conta-giros muito pequeno – similar ao do antigo VW Fox - e a alavanca de câmbio, com curso muito longo. Sobre o painel, é certo que alguns vão argumentar que ele é maior que o do antigo VW, mas mesmo assim, a leitura é confusa. Particularmente, preferia que as posições do tacômetro e dos indicadores de nível de combustível e temperatura do motor estivessem invertidas.

Já o curso da alavanca do câmbio é um “problema” antigo nos modelos Fiat. É certo que esse recurso proporciona um manuseio mais fácil, mas, em compensação, o torna menos preciso. Como gosto de cambiar bastante, acho a alavanca usada nas linhas Palio e Uno desconfortáveis. Sem falar no pomo com desenho “diferente” usado no novo Uno. Meio quadrado e com grandes dimensões, causa estranheza no início. Mas, passado o período de adaptação, acaba se acostumando com o seu manuseio.

Aproveitando, vale lembrar que, durante a minha permanência com o carro, não percebi nenhuma anomalia com relação à suspensão, nem a tal vibração com o motor em marcha-lenta, relatadas ontem pelo Leonardo Barboza. Parece que o serviço da concessionária ficou bom.

26 de ago de 2010

Novo Uno: Uma breve visita à concessionária.

34° dia

Com o agendamento marcado para esta terça-feira, levamos o Uno Way 1.4 do Teste dos 100 Dias bem cedo à concessionária Fiat Itavema Itaim para poder resolver os seguintes defeitos apresentados no veículo:

  • Água do limpador do vidro traseiro vazando embaixo do painel
  • Porta luvas desencaixado
  • Vibração dentro do veiculo na marcha lenta
  • Barulho na suspensão dianteira lado do direito

Na concessionária, o consultor técnico que nos atendeu foi o José Carlos. Apresentando os defeitos para ele, logo ele já nos respondeu que a vibração do motor ocorre devido à falta de isolamento acústico e à rigidez dos coxins do propulsor. Para o consultor, aquilo era normal. Quanto ao barulho da suspensão, andando pelas ruas nas proximidades da concessionária o Uno não apresentou nada de anormal. Novamente, o funcionário da Itavema nos disse que o carro estava ok dentro de suas características.

Em relação ao vazamento de água embaixo do painel e a tampa do porta luvas desencaixada, os defeitos mais graves, bastou uma breve visita à tapeçaria da concessionária e alguns encaixes para tudo ficar em ordem novamente.

Resumindo, a nossa visita com o Uno na Itavema levou apenas 30 minutos. Com um atendimento prático e rápido, nosso veículo não ficou na fila de espera e assim já esta de volta à editora com tudo funcionando perfeitamente. Isso vale também para os difusores de ar, alvos de reclamações por parte de alguns proprietários. Dessa forma, podemos prosseguir o nosso teste sem alterar o cronograma.

25 de ago de 2010

Novo Uno: Aventureiro de fim de semana

31º, 32º e 33º dias


Nesse fim de semana tive a oportunidade de reencontrar a versão aventureira do novo Uno, a Way 1.4, que vem calçada com os pneus Pirelli de uso misto. Meu primeiro contato com ele havia sido feito durante o seu lançamento, quando na ocasião rodei com o carro apenas no asfalto. Confesso que estava curioso para saber qual seria o seu comportamento em uma estrada de terra. Por isso, aproveitei o domingo de sol para cair na estrada até a fazenda de um amigo na região de Sorocaba (SP).

Primeiro percorri cerca de 80 km pela rodovia Castello Branco (SP 280) até chegar a Sorocaba. Nessa primeira etapa notei que o 1.4 é bastante ruidoso e parece que trabalha “forçado” rodando a até 120 km/h, já que ele tem uma relação de diferencial igual à do modelo 1.0. Fora isso, embora o Uno seja um carro de proposta urbana, ele se saiu bem na estrada. Ao contrário da versão Way 1.0, essa desenvolve melhor a velocidade de cruzeiro e a mantém constante. Viajei com quatro pessoas dentro do carro: eu, minha esposa e duas crianças pequenas com tranquilidade. Também gostei da estabilidade oferecida pelos pneus de uso misto, que aderem melhor do que os convencionais.

E se eles ofereceram boa dirigibilidade em asfalto, melhor ainda na estrada de terra, que após uma semana inteira de chuvas intensas ainda estava molhada. Sem problemas! Além do conforto de rodagem, os pneus “borrachudos” deram ao Uno um comportamento estável e excelente capacidade de tração. Durante uma subida desnivelada pela corredeira de água que abriu uma fenda na terra e com lama fina, as rodas dianteiras não patinaram e mantiveram o Uno na trajetória. Outra qualidade desse pneu é que a sua banda de rodagem não “empapou” com a lama por onde ele passou, por isso, ao voltar para o asfalto e rodar alguns metros ela já estava limpa. Também gostei do trabalho da suspensão do Uno, que, além de robustez, também ofereceu um bom nível de conforto de rodagem em piso ruim. Após essa pequena viagem com o Way pela estrada de terra fiquei satisfeito com o seu comportamento. E o recomendo para quem gosta de um carro com estilo aventureiro para os passeios de fim de semana.

24 de ago de 2010

Novo Uno: Ué, cadê os 13 cv a mais?

30º dia

Depois do pé e da calça molhados, agora vamos conversar um pouco sobre os dois unos que já experimentamos aqui no Teste dos 100 Dias, o Way 1.0 e 1.4.

Desde o lançamento, não via a hora de colocar as mãos no volante do Uno 1.4… motor aperfeiçoado, comando de válvulas variável, regulador automático de tensão da correia, ele tinha tudo para se mostrar uma bela máquina.

Mas, sinceramente, após esses dois dias com o Uno se tivesse que escolher ficaria com o 1.0 mesmo (75 cv com etanol). Pelo menos para mim, a diferença de 13 cv que o separa do 1.4 (88 cv) não se mostraram um abismo.

Tudo bem que, no uso cotidiano, o que importa mesmo é o torque e aí sim o 1.4 desconta essa diferença com 12,5 kgfm a 3.500 rpm contra 9,9 kgfm do 1.0 a 3.850 rpm.

Curioso é que, ao volante, o comportamento de ambos é muito próximo. Tudo bem que, se avaliasse o Uno carregado com cinco pessoas mais bagagem, o 1.4 enfrentaria rodovias e subidas de forma mais confortável, sem demandar tantas reduções de marcha.

Se levarmos em conta o preço das versões Way básicas, a diferença de R$ 3.410 entre a 1.0 (R$ 28.750) e 1.4 (R$ 32.160) fica pouco justificável para a segunda, até porque a mais ela só traz alguns equipamentos não tão relevantes assim como alças de segurança na traseira e apóia-pé para o motorista, dentre outros.

Quem está acompanhando o Teste dos 100 Dias e já comprou algum deles ou fez o test-drive nos dois o que acha dessa diferença entre os motores?

- @Junior, concordo plenamente com o que você disse no comentário do post anterior: de fato os mimos dessa opção Way, como os vários porta-trecos, são muito úteis e ajudam na convivência diária.

- Marcelo, com relação à marcha lenta não seria bem um barulho, na verdade o que senti foi uma vibração excessiva com o carro parado, mesmo em ponto-morto. Parece que o carro vai “morrer”… esse é um item que pediremos para a concessionária verificar.

23 de ago de 2010

Novo Uno: Chafariz às avessas.

29º dia

Na primeira vez que escrevo aqui na avaliação do novo Uno gostaria de trocar algumas idéias com vocês, leitores, a respeito dele. Contudo, um fato inusitado que ocorreu ontem enquanto dirigia o Uninho me fez trocar a idéia inicial.

Para quem acompanha o blog e não mora em São Paulo, é bom eu contextualizar que estamos passando por uma semana de chuva intensa na capital paulista. Parado em um semáforo, resolvi acionar o lavador do vidro traseiro para ajudar a remover algumas gotas de chuva.

Alavanca atrás do volante à direita empurrada até o fim e nada de água no vidro. De repente, começo a sentir um jato úmido na perna… Adivinhem só! Em vez de chegar ao vidro, a água resolveu encurtar o caminho e descer por baixo do painel mesmo.

Na hora, confesso que minha preocupação foi com algum eventual curto-circuito que o “banho” inesperado poderia causar, mas o carro seguiu sem problemas até o destino final. Confira abaixo as fotos, a primeira com as gostas ainda caindo e a segunda com a mancha de água sobre o tapete:

Já agendamos uma visita à concessionária na próxima segunda-feira (19) para verificar o problema. Aproveitando, também achei a marcha-lenta um pouco irregular, algo que pedirei para o pessoal da revenda avaliar.

Só uma característica do Uno que gostaria de antecipar e não me agradou em nada é a proximidade dos pedais, principalmente entre os de freio e acelerador e deste com a parede do console central.

Calço 41, nada fora do normal, mas constantemente meu sapato enroscava entre os pedais citados até que precisei, literalmente, encontrar a melhor posição para acomodar meu pé direito.

Em breve volto com mais considerações e o resultado da ida até a oficina.

22 de ago de 2010

Conectando-se ao novo Uno.

28º dia

Ter a possibilidade de conectar o celular e aparelhos de áudio remotos em automóveis, atualmente, mais do que um conforto é uma necessidade. A Fiat oferece essas opções ao novo Uno zero km desde que você gaste um pouco mais. Mas é melhor do que sair por aí dirigindo com o telefone pendurado na orelha correndo o risco de cometer alguma barbeiragem (ou tomar uma multa) a qualquer momento no trânsito.

Primeiro, é preciso adquirir o pacote de “predisposição para rádio”, que inclui quatro alto-falantes , dois tweeters e antena ao valor de R$ 264. Em seguida, a marca também vende separado o “Rádio Connect”, que se conecta ao celular por meio de Bluetooth. É bem fácil de usar e custa R$ 548. Basta procurar o sinal do rádio no celular, acioná-lo e, por fim, inserir no telefone a senha que surgir no display do rádio. Para agilizar o processo, o manual indica a código padrão “0000”. Pronto, estamos pareados.

Quando o telefone toca, o rádio para imediatamente com o que estiver acionado para assumir o toque de seu celular. Para atendê-lo é só apertar o botão com o formato de um telefone no canto direito superior do aparelho de som e começar a falar. Toda conversa acontece em viva voz e o sistema conta com uma transmissão de áudio muito boa. O volume é ajustável. Uma vez registrado, seu celular sempre se conectará automaticamente quando você entrar no veículo.

Como lambuja, esse mesmo aparelho de som oferecido pela Fiat ainda conta com a função streaming, que permite, também via Bluetooth, tocar músicas armazenadas na memória do celular. Ele também lê CD, MP3 e WMA. As entradas auxiliares para plugs USB e para iPod ficam no interior do porta-luvas. Ficou faltando apenas comandos no volante, como no Punto.

Fora esse detalhe, achei a funcionalidade do sistema muito boa. É rápido e não exige demais consultas no manual do proprietário para utilizá-lo. Mas bem que o aparelho podia ter uma aparência melhor. É muito simples. Destoa do restante do painel, que é bem legal.

Cabeçada no console

Ao sair do carro, evite esquecer o porta-óculos do console de teto aberto. Ontem à noite alguém deixou o compartimento escancarado e quando entrei bati com violência minha cabeça na peça. Por sorte ela não quebrou. Nem a minha cabeça.

21 de ago de 2010

NOVO UNO: O custo do 1.0 ou o benefício do 1.4?

27º dia

Ontem falamos bastante sobre as características deste novo motor Fire Evo 1.4. Agora, com os dados em mãos, vamos confrontar os blocos 1.0 e 1.4 para ver as vantagens e desvantagens de cada um.

Primeiro vamos ao nível de ruído aferido por meio de nosso decibelímetro na pista de testes. Confira abaixo uma pequena tabela com os dados de ambos:

Ruído interno Motor 1.0 Motor 1.4




Ponto morto 50 dB 57,8 dB
50 km/h
62,4 dB 62,4 dB
80 km/h
66,4 dB 65,3 dB
120 km/h
68,1 dB 72,4 dB

É possível notar que em ponto morto o 1.4 é nada menos que 7,8 dB mais ruidoso que o 1.0. A 50 km/h o barulho é o mesmo, mas a 80 km/h, porém, o motor maior reverte a desvantagem, provavelmente por conseguir rodar em rotações mais baixas. A 120 km/h, no entanto, o 1.0 volta a ser 4,3 dB mais silencioso.

E são exatamente nesses momentos (ao ligar o carro e em estradas a 120 km/h) que mais sentimos o alto nível de ruído do 1.4.

Na hora de acelerar, como era de se esperar, o 1.4 anda bem melhor. Veja os números:

Aceleração de 0 a 100 km/h





Uno Way 1.0 17s2

Uno Way 1.4 13s9





Retomadas 40 a 100 km/h 60 a 120 km/h 80 a 120 km/h




Uno Way 1.0 18s1 20s5 15s7
Uno Way 1.4 12s8 17s2 13s2

No dia a dia, contudo, essa diferença no cronômetro a favor do 1.4 não aparece tanto. E, até que ele me prove o contrário, ainda vou de 1.0.

Incômodos e conveniências do dia a dia

Mudando um pouco de assunto, percebi que o Uno tem um habitáculo espaçoso e agradável, com bom nível de acabamento para um carro de sua categoria, mas peca em alguns aspectos.

O comando dos vidros elétricos, por exemplo, saiu das portas e foi para o painel central. É um recurso que poupa custos da montadora, mas, pelo menos para mim, torna o acionamento do sistema um inconveniente, já que instintivamente direciono minha mão esquerda à porta para abrir o vidro. Tem gente que gosta e montadora que insiste em dizer que os clientes não se importam, mas eu, enquanto consumidor, me importaria. E vocês?

Outra coisa que não gosto é o sistema de regulagem dos encostos, que não permite uma acerto progressivo, como nas velhas e boas roldanas.

Em contrapartida, há um bom espaço à frente do câmbio para colocar a carteira, o celular ou outros objetos.

Pode parecer implicância, mas, acredite, ao longo dos dias essas soluções “menos inteligentes” cansam.

20 de ago de 2010

Novo Uno: O áspero 1.4.

26º dia

Rodei cerca de 200 km com o Uno em trechos urbanos nos últimos dias e, de ontem para hoje, peguei um pouco de estrada. Nas duas situações o motor 1.4 teve um desempenho razoável, mas sempre incomodou por dois motivos: uma certa aspereza em seu funcionamento e o alto ruído que invade a cabine, especialmente quando se estica as marchas acima de 3.000 rpm.

Primeiro vamos entender o que é um motor áspero. Nota-se já na hora de virar a chave: propulsores mais suaves costumam ser muito silenciosos e, às vezes, até enganam motoristas mais inexperientes, que pegam um carro já ligado do manobrista, por exemplo, e tentam acionar o motor sem perceber que ele já está em funcionamento. Com o automóvel parado, não estamos falando ainda do isolamento acústico, afinal, as portas e janelas podem estar abertas. Trata-se da harmonia de trabalho entre pistões, bielas, virabrequim, válvulas e coxins de fixação, estes responsáveis pela amortização das vibrações.

Vamos a um exemplo dentro da própria Fiat: quando se dá a partida no novo motor 1.6 16V E.TorQ do Punto, o baixo ruído e a pouca vibração que ele transmite ao carro já nos passam a mensagem que sob o capô repousa uma unidade suave. No Fire Evo 1.4 do Uno ocorre o contrário. Logo na partida o motorista percebe que terá de conviver com um carro áspero e que transmitirá um nível de ruído acima do desejado para dentro do habitáculo.

“Anda bem, mas ronca que é uma beleza, hein?”, disse meu pai logo depois de dar um volta com o Uno 1.4. E eu nem havia comentado nada sobre isso. Compartilho com ele essa impressão, mas em partes, já que ele não andou com o 1.0.

Achei, sim, que o Uno 1.4 anda bem, mas não tão bem se comparado ao 1.0. Trocando em miúdos: o 1.0 é bom para um 1.0 e o 1.4, logicamente, é melhor, mas não é tão bom quanto se esperaria de um bloco com essa cilindrada. A principal diferença é o torque, que permite uma tocada com menos trocas de marcha. Fora isso, os desempenhos são bem parelhos, até mesmo na estrada. Em função do barulho, percebi que andar a 120 km/h com o Uno 1.4 gera estresse em rodovias. Chega a ser irritante mesmo para um carro de entrada.

Para tirar essa história a limpo, assim que testarmos este Way 1.4 publico aqui os dados de ruído aferidos na pista de testes e faço a comparação com os números do Way 1.0.

Conclusão: se tivesse de recomendar um Uno, hoje, seria o 1.0, já que o 1.4 não vale os R$ 3.410 a mais (o valor ainda inclui pneus de uso misto e outros equipamentos, como vocês viram no post abaixo).

E olha que meu pai mesmo teve recentemente um Palio 1.3 Flex que gostávamos bastante e, sem dúvida, era muito mais silencioso e menos áspero que este 1.4. Até mesmo os Palio 1.4 que andei recentemente (e que não pertencem a esta geração Evo) não tinham essas características do Uno. O que terá acontecido?

19 de ago de 2010

O novo uno vem ai!

22º, 23º, 24º e 25º dias

Como já havíamos adiantado, avaliaremos as quatro versões do Uno (Vivace 1.0, Attractive 1.4, Way 1.0 e Way 1.4) neste Teste dos 100 Dias.

Depois de pouco mais de 20 dias conosco, o “Uninho” Way 1.0 de placas HMY-9948 deu lugar a outra versão. Desta vez mostraremos aqui como se comporta o Uno Way 1.4, que, coincidentemente, tem a mesma cor (Verde Box) do 1.0 que usamos anteriormente e placa semelhante (HMY-9959).

Antes, vale um esclarecimento. Depois de ter levado o primeiro carro à concessionária com reclamações sobre a demora na partida pela manhã e a apatia do motor ainda frio, nossa equipe notou uma pequena melhora após os ajustes feitos pela autorizada, mas nada que deixasse o carro em condições ideais. Como tivemos de devolver o exemplar à Fiat em função dos prazos apertados de empréstimo (a demanda ainda é alta junto à montadora), não pudemos retornar à Sinal para reclamar novamente. De qualquer forma, o problema foi relatado à Fiat. Na próxima semana publicaremos aqui os dados finais (quilometragem e consumo) do Uno Way 1.0.

Agora vamos ao 1.4. Entrei no site da Fiat e percebi que a diferença de preço entre o Way 1.0 e o Way 1.4 não é pequena: enquanto o primeiro custa R$ 28.750, o segundo sai por R$ 32.160. São R$ 3.41o de diferença, ou 11,8% sobre o preço do 1.0. É uma graninha boa nessa faixa.

Enquanto o 1.0 desenvolve 75 cv a 6.250 rpm e 9,9 kgfm a 3.850 rpm (dados obtidos com etanol), o 1.4 oferece 88 cv a 5.750 rpm e 12,5 kgfm a 3.500 rpm. Além disso, o Uno 1.4 traz pneus de uso misto (confira na imagem abaixo) e console central no teto com porta-objetos e espelho suplementar (aquele idêntico ao do Fiat Idea para olhar as crianças no banco traseiro).

São 13 cv, 2,6 kgfm, pneus mistos e o tal console com espelhinho por R$ 3.410. Vale o investimento? Veremos nos próximos dias. O Way 1.4 oferecido pela Fiat, assim como o 1.0, é completíssimo, o que eleva seu valor a um patamar impraticável para um modelo compacto. Vejamos:

Uno Way 1.4: R$ 32.160

Kit Celebration 3 (ar-condicionado, direção hidráulica, faróis de neblina, adesivos celebration, vidros e travas elétricas, pré-disposição para rádio, para-brisa degradê): R$ 5.100

Kit Steel de Personalização Interna (volante revestido de couro e moldura central do painel de instrumentos): R$ 395

Kit Casual (porta-objetos central e regulagem de altura do banco do motorista): R$ 355

Kit High Safety (airbag duplo e ABS): R$ 2.434

Rodas de liga-leve: R$ 690

CD com MP3, Bluetooth e entrada USB: R$ 548

Total: R$ 41.682

Antes de “descer a lenha” na marca, no carro, nos impostos ou no governo Lula, reparem que estamos falando de um compacto completíssimo, uma versão que dificilmente sairá da concessionária. E, se sair, terá um bom desconto.

O ideal mesmo é entrar no site da Fiat, partir dos R$ 32.160 e montar o seu para não termos uma discussão interminável aqui, já que cada um tem uma necessidade e um orçamento.

Pelo que rodei nesses dias, não achei esse bloco muito superior ao 1.0 em percurso urbano. Por enquanto, acho que economizaria os R$ 3.410. Entre hoje e amanhã vou pegar um pouco de estrada e volto com impressões mais consolidades.

E vocês, o que acharam dessas diferenças? Vale o investimento no 1.4 ou o Uno 1.0 já está de bom tamanho?

18 de ago de 2010

Novo Uno: Consumo semanal – Uno Way 1.0.

A média do Uno melhorou bastante nesta segunda medição. Sempre com 100% de etanol no tanque, ele rodou 645 km apenas em trajeto urbano e conseguiu marcar 9,6 kml depois do reabastecimento. Confira os números:

Percurso Parcial semanal Total nos 100 Dias
Cidade 645 km 1.194 km
Estrada 0 km 1.057 km
Total 645 km 2.251 km
Consumo médio 9,6 km/l 9,3 km/l

17 de ago de 2010

Novo Uno: Projeto novo, vida nova a bordo.

21º dia

Dentre as principais benesses que um carro totalmente novo pode trazer ao mercado, e claro, aos seus compradores, é o aproveitamento mais racional do habitáculo. Foi assim com o Fiesta, foi assim com o Gol e é assim com o Uno. Para que você se sinta em um carro novo, mesmo sendo comprador habitual de determinada marca, a razoabilidade do espaço interno é um dos itens que mais lhe aparecem no cotidiano. Como sou provido de dimensões maiores do que a média do brasileiro, comecei a perceber o quanto o Uno me faz sentir bem ao volante. Além dos bancos e da visibilidade, os quais já abordei por aqui, o espaço para mim e para quem divide o habitáculo comigo merece elogios.

Em comparação aos carros que eu considero ultrapassados no segmento, os centímetros que ele tem a mais em algumas medidas essenciais para o conforto na condução, o fazem valer ainda mais a pena. Comparando contra o Gol G4, o Renault Clio e o Chevrolet Classic, por exemplo, pode-se tirar conclusões que ilustram bem essas sensações. Na distância do assento ao teto, por exemplo, o Uno é nada menos do que 6 cm maior que o Renault (96 cm a 90 cm) e empata com o Gol e o Classic, contudo o VW e o Chevrolet têm o seu assento localizado muito perto do assoalho. Os três estão 3 cm mais baixos que o do Fiat, o que transmite mais as vibrações que do carro. O VW ainda tem o volante levemente torto, fatos que complicam ainda mais o conforto.

A largura interna dianteira do Fiat também surpreende. Seu 1,42 m, de porta a porta, batem o 1,34 m do Renault Clio Campus e superam o 1,40 m do Classic. O Gol tem 3 cm a mais nessa distância, e, apesar da idade, vence o Uno. A distância entre a ponta do assento e os pedais, também essenciais para que você se sinta à vontade, mostram de novo a superioridade do projeto mais novo. O Uno tem 52 cm nessa medida, enquanto o Gol tem só 47 cm, o Classic tem 42 cm e o Clio 49 cm. Se você acha que dois ou três cm não fazem diferença nas suas pernas, pergunte isso a alguém que tem um perna apenas 1 cm menor que a outra. Cada milímetro é fundamental na ergonomia.

Para quem viaja atrás, o importante para a segurança e a boa convivência a bordo é ver a cabeça o mais distante possível do teto, e os joelhos bem afastados dos bancos dianteiros. No primeiro caso, outra vitória do Uno, são 91 cm do assento até o teto, contra 89 cm do Gol, 83 cm do Classic e apenas 81 cm do Renault. Essa vantagem indica que você pode até ficar em uma posição mais ereta quando viaja atrás do Fiat e não precisa de tanto espaço para as pernas. Em virtude disso, o espaço dos seus joelhos em relação ao assento dianteiro é menor no novo Uno. São apenas 18 cm, contra 19 cm do Gol, 22 cm do Renault e 16 cm do Classic.

16 de ago de 2010

Novo Uno: Visita à concessionária.

20º Dia

Após um dia na concessionária Fiat Sinal Santo Amaro, conforme dito no post anterior, hoje foi dia de buscar o novo Uno dos 100 Dias e verificar se o problema da falta de força com o motor frio apontado por diversas pessoas que dirigiram o carro havia sido resolvido.

O consultor que me atendeu foi o Ângelo, um técnico muito atencioso que deu todas as explicações a respeito do reparo que foi realizado.

Ele explicou que foi feito uma “AF” (aferição forçada), resumindo, uma nova calibração da central de injeção eletrônica. Também me informou que, como o veículo está abastecido com 100% de Etanol, o fator ideal de trabalho da injeção seria “9”. Como este valor estava muito baixo, a injeção eletrônica não conseguia corrigir automaticamente, causando falhas principalmente quando frio e na primeira partida do dia.

Depois de muitos testes ele me afirmou que o veiculo esta em perfeito funcionamento. Assim, ao sair da concessionária, percebi na dirigibilidade que o veiculo já se encontrava diferente.

Enfim, nos próximos dias vamos ficar observar para ver se o defeito volta e também fazer uma nova aferição de consumo médio de combustível para verificar se há melhorias com a nova calibração na central de injeção eletrônica.

15 de ago de 2010

Novo Uno: Uma “nave” acessível.

17º, 18º e 19º dias

Chegou a minha vez de testar o novo Uno. Minha missão era ficar um fim de semana com ele. Na verdade, não tinha nenhum roteiro programado, contudo, rodei mais de 250 km com o hatch entre sexta-feira à noite e domingo (nossa unidade já passa dos 3.700 km). Pude andar com ele vazio e totalmente carregado com cinco passageiros. Acabei de vender o meu antigo carro, um Palio Fire 2008 básico, portanto, creio ter uma boa base de comparação.

Enfim, antes de falar das qualidades dinâmicas do carro, vou explicar o meu titulo. Por que nave? Ande com esse carro na rua e você entenderá. Eu nunca vi um carro “popular” chamar tanta atenção nas ruas. Não é a mesma atenção de um carro sofisticado importado. As pessoas o olham como se fosse de brinquedo, com total simpatia e satisfação em relação ao design. A cor verde da unidade de testes ressalta ainda mais essa sensação de “queridinho”.

No domingo, enquanto arrumava algumas coisas em frente de casa, praticamente todos os vizinhos queriam ver e chamavam as esposas para ver também. Minha enteada, que vai completar 18 anos, já escolheu o carro. É incrível como esse modelo caiu no gosto popular com tão poucas unidades nas ruas.

O melhor de tudo é que ele realmente confirma na prática as boas impressões que temos dele quando está parado. Um veiculo acessível com faixa degradê no vidro, luz no porta-luvas, temporizador da luz interna, alças para todos os passageiros, porta-óculos e espelho para ver as crianças atrás não e normal. Não mesmo. Temos de considerar, é claro, que alguns desses itens são opcionais, mas tê-los à disposição mesmo pagando mais já é positivo em comparação aos concorrentes.

O acabamento dele não é impressionante, mas é de bom gosto e não passa aquela impressão de carro de entrada, como a maioria dos concorrentes sugere. Com o aplique interno (opcional), a sensação de qualidade melhora ainda mais. Apenas achei que a cobertura do porta-malas poderia ter um visual melhor, pois o fino plástico escolhido é pobre demais.

A posição de dirigir é facilmente encontrada com um banco que regula a altura, apesar de o encosto ter aquela velha alavanca que exige habilidade do motorista para conseguir um ajuste fino. O volante de três raios tem uma boa pegada, ainda mais nesta versão que tem apliques de couro que ressaltam mais uma vez a boa sensação de qualidade que havia comentado. No meu antigo Palio, tinha de colocar o assento todo para trás e ficava no limite para não ficar com as pernas em posição errada. No Uno, ainda tinha folga, mesmo com o limitador. Quem vai atrás também não tem do que reclamar. Andei com três passageiros e ninguém sentiu falta de espaço. Eu também sentei atrás com os meus 1,80 m com o banco do motorista ajustado para mim e pude me acomodar bem, com espaço de folga para as pernas e cabeça. A sensação de espaço é boa e ele ainda tem um console com dois porta-copos que acabam virando porta-moedas, celular etc.

O painel de instrumentos é pequeno, mas oferece boa leitura. Não tem nada a ver com o antiquado painel que equipava o antigoVW Fox, por exemplo. Os botões que ajustam o sistema de ar-condicionado são grandes e de fácil operação.

Na hora de andar, contudo, o motor 1.0 deixa a desejar. Perto do meu antigo Palio, o Uno fica bem aquém em desempenho. Mas também devo considerar que o Uno é completíssimo, enquanto o meu Palio era básico.

Em todas as partidas que fiz com o motor frio, senti um pouco de dificuldade e ainda o deixei morrer uma vez quando tentava sair. Com o motor frio, o desempenho dele é sofrível. Logo que saio de casa, enfrento uma ladeira e, com ele, mal conseguia alcançar o cume. É um problema e tanto que nunca vi desde a época do surgimento da injeção eletrônica. Depois de aquecido, achei o desempenho um tanto fraco, exigindo bastantes trocas do curto e bom câmbio que equipa o modelo. Ele dá conta do recado na cidade, mas é bem fraquinho… O motor 1.4 deve casar bem melhor com ele, principalmente nessa configuração completa.

O comportamento dinâmico é bem adequado e até “sobra“ para a performance apática do modelo. Ele é bem mais firme que a atual linha Palio e mais macio que o Mille. De qualquer forma, consegue um equilíbrio adequado que não transmite sensação de suspensão barata e pouco progressiva. Não gostei dos pneus Bridgestone que equipam ele. Achei a carcaça um tanto mole em curvas mais fechadas, trazendo um balanço logo na abordagem da curva.

Resumindo: o que mais gostei foi o estilo, altura dele em relação ao solo e a modernidade do design que, aliado às cores e aos adesivos personalizados, conferem um ar especial e chamativo à novidade. O bom espaço interno e o acabamento também surpreendem. Nada demais, apenas justo pelo valor cobrado.

Não gostei do desempenho, um tanto contido, e da cobertura do porta-malas, que destoa do restante do carro.

Problemas na partida a frio

Hoje pela manhã o Uno foi deixado em uma concessionária para que o problema da falta de força com o motor frio seja resolvido. Como de praxe, não nos identificamos como jornalistas, mas a autorizada provavelmente notará que se trata de um carro de frota da Fiat ao checar o documento.

De qualquer forma, nosso assistente de testes, Leonardo Barboza, apresentou-se como um cliente comum. A concessionária prometeu a entrega do Uno no fim da segunda-feira ou início da terça. Vamos aguardar o retorno e postaremos depois nossas impressões em relação ao atendimento e à solução do problema.

13 de ago de 2010

Novo Uno: O Cinquecento do povão.

16° dia

Durante o evento de lançamento do novo Uno em Salvador (BA), no qual estive presente, Cledorvino Bellini, presidente da Fiat do Brasil, foi claro em suas palavras: “Trouxemos a personalização visual de fábrica para os carros de entrada!”. Assim, com ponto de exclamação mesmo. E como a Fiat não dá ponto sem nó, a sacada da customização foi muito bem acertada e tem tudo para ser uma das grandes jogadas da marca para o carro.

Na versão Way, outra ótima cartada, interessados podem escolher entre 12 cores diferentes para a carroceria, sendo cinco versões de pintura sólida, que não acrescentam nenhum valor extra ao preço final do veículo, e outras sete colorações metálicas, estas oferecidas por mais R$ 700. Pincei do site da marca todas as opções disponíveis para a versão aventureira do modelo. Confira abaixo.

Azul Búzios

Azul Trinidad

Bege Savannah

Branco Banchisa

Cinza Cromo

Cinza Scandium

Cinza Tellurium

Prata Bari

Preto Vesúvio

Preto Vulcano

Verde Box

Vermelho Alpine

Pessoalmente, a opção que mais me agrada é o Preto Vesúvio. Combina muito bem os para-choques saltados. Também gostei bastante das pinturas Vermelho Alpine e Azul Trinidad. Outro lance bacana no Uno Way são os adesivos do Kit Tribal, vendidos separadamente por R$ 172. Porém, se hoje eu fosse comprar um Uno, abriria mão dessa parte. Acho que eles podem descolar e ser alvo dos “espertinhos”. E vocês?

Adesivos do Kit Tribal custam R$ 172

Minhas impressões

Hoje de manhã o Uno custou para ligar no frio. Enquanto manobrava, ele morreu duas vezes. Depois, a caminho da editora, o motor insistia em perder o fôlego enquanto ainda não estava quente. Isso é uma coisa que incomoda demais. Você pisa no acelerador e o motor não enche, demora para responder. Somente após cerca de 15 minutos ele atingiu uma temperatura mais adequada e seguiu rodando sem soluços. Mas, poxa vida, estamos na época da injeção eletrônica e da partida a gasolina. Por que isso ainda acontece?

Mas dirigir o Uno é bem legal, mesmo a versão com motor 1.0. A posição mais alta é boa e o volante, na minha opinião, tem ótima pegada. Porém, percebi que o câmbio de nosso Uno Way está diferente dos modelos que guiei na Bahia. Parece estar mais mole e a terceira marcha é bem chata de engatar.

E como o novo Uno chama atenção. Chega a ser exagerado, quando não perigoso. Ontem fui a um show na Vila Madalena a bordo do “Unera”, como apelidou o carro um amigo meu, e ao voltar encontrei o veículo no estacionamento cercado de curiosos. Já ao descer a Rua Cardeal Arcoverde de volta para casa um motoboy abusadíssimo quase estampou a traseira de um carro que estava estacionado na esquerda para olhar o Uno. Foi por muito pouco.

12 de ago de 2010

Novo Uno: Visibilidade compensada.

15º dia

O visual quadrado do Uno, a lá Kia Soul, cobrou do hatch o mesmo preço que o carro coreano teve de pagar: visibilidade traseira comprometida. Isso porque as colunas traseiras ficaram muito largas pois, por fora, carregam as lanternas. Esse visual “botinha” exige que o fabricante encontre soluções pertinentes para o problema da visibilidade traseira. E a Fiat encontrou em seu novo Uno.

Se quando você olha pelo retrovisor central perde um pouco da imagem traseira em virtude das colunas, o enorme retrovisor lateral, se bem ajustado, pode ajudá-lo a compensar a perda. O ideal é ajustá-los, dos dois lados, de uma maneira que você veja uma pequena parte das laterais traseiras do carro, quando em posição de guiar, sem mexer a cabeça para os lados. Assim, quando você curvar o corpo um pouco à frente para olhar pelo retrovisor lateral, conseguirá enxergar o que aquele ponto cego, proporcionado pelas colunas traseiras, esconde.

Evidentemente, você dirá que um projeto de design não tem o direito de deturpar a segurança do carro, contudo a solução encontrada pela marca praticamente dilui o problema com o tempo. E em uma cidade cheia de armadilhas e com motoqueiros trabalhando a todo vapor pelas grandes vias, não tive sequer um susto a bordo dele.

Entre outros opcionais válidos para que a sua visibilidade continue em um nível de segurança máximo, o nosso Uno Way tem tudo que é necessário. Mesmo assim, eu acho um absurdo cobrar-se por limpador e lavador do vidro traseiro. Carros hatches têm de vir com esse equipamento em virtude de seu formato. Em dias de chuva eles se sujam só de o chão estar molhado, mesmo depois de a intempérie cessar, coisas da física. O limpador e o lavador traseiro, acompanhado do desembaçador do vidro de trás e da regulagem mecânica dos retrovisores, custa R$ 487. Mas se você optar pelo Kit celebration 1 (R$ 5.212), que equipa o nosso modelo, eles já virão de série.

Para quem não vai comprar o carro com ar-condicionado como o testado, vale a pena investir também no desembaçador com ar-quente, que sai por R$ 314 e melhora a vida nesses mesmos dias de chuva, ou de muito frio em que o vidro teima em embaçar, ou, quem sabe optar pelo vidro dianteiro térmico, que apenas diminui o embaço no vidro dianteiro sem aquecer o carro e custa R$ 254.

11 de ago de 2010

Novo Uno: Ele é seguro. Mas e o seguro?

14º dia

A análise de segurança dos carros vai além da simplicidade de dispor de airbags e ABS. No cenário atual, em minha opinião, dispor disso como opcional é o mínimo que qualquer carro deve ter – mesmo que no caso do Uno, você deva adquirir um kit que contenha direção hidráulica por causa dos airbags. E exemplos do quão são imprescindíveis as bolsas infláveis e o sistema antitravamento dos freios não faltam. Além disso, os cintos de segurança, a deformação da célula de sobrevivência e barras de proteção no entorno do carro estão entre outros itens pensados e repensados pelos fabricantes a cada novo modelo.

Um fato que me chamou a atenção no novo Uno foram os encostos de cabeça dos bancos dianteiros serem costurados ao encosto. Você não precisa regular. Os mais ranzinzas dizem que “você NÃO PODE regular” o que sugere uma proibição, uma perda de liberdade sobre o que eu posso ou não posso fazer com o meu carro. Na verdade, pode até ser melhor assim. A bem da verdade, o encosto está lá para evitar o “efeito chicote” feito pela cabeça em caso de colisão, principalmente, traseira. Sendo assim, vale verificar que o encosto do novo Fiat, apesar de não poder ser regulado, abrange o espaço total da cabeça de, pelo menos, 99,9% dos motoristas. Isso porque, os brasileiros que têm mais de 2m de altura – os quais podem, em hipótese, não ter a cabeça protegida pelo encosto – representam menos de 0,1% da população brasileira. Eu tenho 1,91m e ficou na medida. Aliás, até sobrou. E a função dele é só essa. Apesar de pensarmos na estética e no “poder” de regulá-lo, o banco do Fiat está, sim, dentro da normalidade, mesmo que costurado ao encosto.

O outro assunto é sobre o preço do seguro. Fiz uma consulta preliminar, logo no lançamento do carro, antes mesmo de ele chegar às concessionárias. Depois de pesquisar em cinco conhecidas corretoras, cheguei ao valor médio de R$ 2 250 (8,2% do valor do carro) para o Uno Vivace, 1.0, em um comparativo publicado na edição nº 200 da revista CARRO. O perfil era de um homem, casado, com filhos, 40 anos, único condutor, que mora na Zona Sul de São Paulo ( bairro de Santo Amaro) que usa o carro para trabalhar e para o lazer e o guarda sempre em garagem particular. Contudo, depois do lançamento a história mudou.

Cotamos hoje em quatro grandes seguradoras do país, duas de bancos e duas independentes, e o resultado foi um pouco diferente. Para o mesmo Uno Vivace 4 portas, a proteção total subiu para R$ 3.050 (11,1% do valor do carro). Para o Uno Way 1.0, como o testado, o valor médio chegou a R$ 3.715 (12,9%). Quem optar pelo Uno Attractive, com motor 1.4, terá de desembolsar, em média, cerca de R$ 3.400 (10,8%) e R$ 3.480 (10,8%) para a versão Way 1.4. Sendo assim, a versão que está em avaliação no teste dos 100 dias tem o seguro mais caro, em proporção e espécie, dentre os novos Uno.

Agora, o que eu não entendo é o motivo de a projeção de tal proteção total do carro antes do lançamento ter sido tão abaixo do que realmente se confirmou. Algum analista de seguros responde para nós?